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Manhãs de Inverno e Abraços Quentes

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Estrangulando um bocejo Touya caminha pelo pequeno corredor do apartamento arrastando os pés, é uma manhã de sábado, não deve nem passar das 8 horas, mas não consegue mais voltar a dormir agora que já foi acordado. Lamenta amargamente ter esquecido de cobrir as janelas do quarto com as cortinas grossas na noite passada, acordar com a porra da luz do sol bem no seu rosto não está na sua lista de coisas preferidas, para dizer o mínimo, é uma merda.

Inspirando fundo estica os braços sobre a cabeça até as articulações estalarem, solta um gemido satisfeito, seguido de um suspiro, assim que pisa na silenciosa cozinha. Ela é minúscula, mas nem ele e nem seu namorado precisam de muito, e, apesar disso, gosta bastante dela. O chão de ladrilho branco é frio sob os seus pés descalços, um alívio bem-vindo para alguém que mal consegue controlar seu quirk de fogo, temperaturas baixas são um balsamo para o seu corpo sempre quente.

Manter constante controle desse poder é desgastante, no melhor dos dias é um incômodo, perdeu a conta de quantas vezes acordou num estado febril porque superaqueceu no meio da noite ou que foi internado por causa de uma insolação durante suas férias de verão, quando esqueceu de se hidratar porque estava mais preocupado em se divertir com os amigos. Isso sem contar as várias peças de roupas que pegaram fogo ao longo de todos esses anos, se está muito irritado, angustiado ou animado com algo, suas chamas simplesmente se acendem.

Seu corpo também não é compatível com esse poder, isso lhe causa problemas desagradáveis com queimaduras, que se estendem por todo seu corpo, e os grampos que precisam ser trocados regularmente. Eles também têm o costume chato de estourar quando os força além do recomendado e a pele saudável nas beiradas das cicatrizes antigas se tornou excessivamente insensíveis por isso.

É uma merda, pensa amargamente se encostando no balcão para esperar a cafeteira terminar de preparar o café. Não pode dizer que gosta do seu quirk, mas é o único que têm e, infelizmente, não há devolução e nem troca. Sua única escolha é lidar com essas inconveniências irritantes e seguir com a sua vida como se isso não fosse grande coisa. Como se olhar para todas essas cicatrizes feias não deixasse um gosto de bile na boca.

Assim que o café fica pronto Touya enche uma caneca e experimenta um gole generoso da bebida escura, saciando sua necessidade de cafeína. Quase sente seu corpo vibrar quando o líquido quente desce pela garganta acalmando qualquer sintoma de abstinência, nada melhor do que começar o dia com café! O cheiro é agradavelmente delicioso e o sabor não é de todo ruim, apesar de preferir outra marca. Rapidamente a caneca está vazia.

Quando termina mais meia caneca do café, se sentindo muito mais acordado, vai até a sala com passos preguiçosos, se acomoda no sofá de estofado suave com um zumbido feliz e tira um maço de cigarros e o celular do bolso da calça moletom. Uma almofada grande e macia apoia suas costas enquanto verifica suas redes sociais e mensagens ao som da batida calma de alguma música aleatória da sua playlist.

Ainda é cedo demais para isso, pensa revirando os olhos para todas aquelas notificações enchendo a tela do aparelho. Há vários áudios barulhentos de Himiko e Jin; mensagens animadas de Fuyumi e Natsu; até mesmo uma curta e direta do Shouto.

Soltando um gemido desanimado ignora tudo e afunda mais no sofá, ele vai lidar com isso mais tarde, agora só quer queimar um cigarro e saciar seu segundo vício. Sem nem mudar sua posição leva um deles aos lábios e, num piscar de olhos, uma chama azul surge na ponta do seu indicador. Ele mal a sente queimar antes de apagá-la chupando uma tragada, com a mão livre tateia debaixo do sofá e puxa um cinzeiro quase cheio, que pousa sobre o seu estômago nu.

Fechando os olhos ele fica ali, tragando e soprando fumaça enquanto escuta sua playlist, com músicas de batidas suaves que quase o fazem voltar a dormir. Bem, isso até escutar o som de passos pesados se aproximando pelo corredor. Tragando uma última vez ele abre um olho e encontra Tenko parado bem ali no meio da sala, fazendo beicinho com os seus cabelos bagunçados, usando nada além um moletom grande demais e uma manta envolvendo sua figura da cabeça aos pés.

Lambendo os lábios Touya apaga o cigarro no cinzeiro e o coloca cuidadosamente fora do caminho, internamente faz um esforço monumental para não arrastar seu namorado de volta para o quarto e passar o resto do dia enfiado na cama com ele e outros três cobertores. Sua expressão, entretanto, não passa de um sorrisinho de lado muito próximo a uma zombaria, o que faz a carranca do outro se aprofundar.

Não é uma má ideia, pensa com um zumbido no fundo da sua mente imaginando o quão agradável seria ignorar esse dia estúpido e todo o resto do mundo para ficar com o rapaz mechas azuladas. Mas, infelizmente, prometeu encontrar com sua mãe e irmãos mais tarde para comemorarem seu aniversário, claro, podia fazer isso numa chamada de vídeo sem precisar enfrentar ruas cobertas de neve, mas Rei Todoroki tem um tipo estranho de aversão a tecnologia. Argh, as promessas que faz sem pensar!

- Você saiu da cama. Está frio. – diz o mais novo com uma nota de impaciência na voz, o tirando dos pensamentos. Claro que a primeira coisa que sai dos seus lábios rachados é uma exigência.

Bufando, o moreno se move no sofá e abre os braços, num convite silencioso. Tenko não se faz de acanhado quando se aproxima, arrastando a ponta da manta no chão, estica uma perna magra, e muito nua, antes de montar nos quadris do mais velho e se inclinar para o calor de Touya com um ronronar apreciativo.

É um pouco desconfortável no começo, precisam de alguns instantes e muitas cotoveladas para encontrarem uma posição confortável para ambos, mas logo o Shimura está deitado sobre o seu peito enquanto o abraça para aquecê-lo adequadamente. E Touya acha que essa é uma boa utilidade para o seu poder.

Não é um segredo que Tenko não suporta o frio; seus ossos doem, sua pele seca se torna mais sensível e seu corpo fica gelado feito um cadáver. Algo sobre seu quirk impedi-lo de reter calor corporal, ou qualquer coisa nesse sentido, sempre teve muitos problemas durante o inverno. Mas isso apenas até conhecer o primogênito dos Todoroki que, literalmente, emana calor do seu corpo num fluxo constante.

- Melhor? – o moreno pergunta num tom divertido, pressionando um beijo nos cabelos claros.

- Hun, sim. – é a resposta satisfeita que ele lhe dá.

Isso faz Touya sorrir afetivamente, por mais que o outro tenho seu orgulho, ele também é sempre honesto sobre aquilo que quer. E se Tenko Shimura quer ser abraçado até o frio em seus ossos ir embora porque está nevando para caralho do lado de fora e a porra do inverno não chega ao fim logo, ele não vai pedir por isso e esperar uma resposta, ele apenas vai demandar.

- Sabe, eu me sinto usado. Acho que você só está comigo porque sou quente. – comenta num tom divertido.

Um sorriso enfeita o rosto marcado e ele apoia o queixo no peito nu do namorado. – Com certeza não foi pela sua incrível personalidade, idiota.

- Eu ficaria desapontado se fosse por causa disso. – comenta num tom sarcástico, mas soando quase ofendido.

Tenko bufa uma risada e se ergue um pouco da sua posição confortável para alcançar os lábios incompatíveis. – Eu acho que você vale mais que um aquecedor. – Confessa antes de iniciar um beijo lento que o outro fica mais do que feliz em corresponder.

Sem pressa nenhuma, e de maneira lenta, Touya deixa sua língua umedecer os lábios secos e entrar na boca ansiosa, arrancando pequenos gemidos do mais novo. Suas mãos viajam sob o velho moletom e tocam diretamente a pele fria. Tomando cuidado para não perder o controle das suas chamas, esfrega as palmas aquecidas por toda extensão do copo magro. O trazendo para mais perto deixa seus dedos subirem até as costas curvadas, sente as articulações da espinha, uma de cada vez, antes de descer novamente até as coxas macias, as apertando e esfregando conforme o beijo se torna mais afoito.

Os gemidos do azulado faz as chamas se agitarem sob a sua pele e enviam uma onda de excitação por suas veias, que escorre para a pelve. O seu membro responde aos pequenos estímulos e movimentos languidos do corpo frio sobre o seu. Pode sentir o pau de Tenko se contrair pressionado entre os seus estômagos, já meio duro, quando circula um dedo na entrada exposta e não consegue estrangular o grunhido animado que escapa da sua garganta quando o seu dedo entra sem dificuldade.

- Eu já me preparei. – explica, ofegante, se afastando para conseguirem respirar sem se sufocarem com todo o calor que os envolve debaixo da manta.

Touya pode sentir sua temperatura corporal subir ainda mais com a imagem mental do namorado se preparando só para ele, debaixo das cobertas, se esticando com aqueles dedos perigosos enquanto morde os lábios para abafar seus ruídos e não o alertar ou talvez pressionando a boca no travesseiro. Isso faz sua respiração acelerar e um gemido profundo vibra em seu peito até chegar a garganta. Porra, Tomura vai ser a causa da minha morte um dia desses.

Sem esconder sua impaciência ele o observa se erguer sobre os joelhos, a manta escorrega dos seus ombros e uma mão enfaixada ergue a barra do moletom, revelando um corpo magro e pálido ao ar frio da manhã, e ao par de olhos famintos do usuário das chamas. Engolindo seco, o moreno acha que Tenko é a coisa mais bonita que ele já viu.

Sua pele clara possuí um brilho quase fantasmagórico nesse tipo de iluminação que entra pelas janelas; seus cabelos caem parcialmente sobre o rosto marcado e expressão suave, obscurecendo os olhos vermelhos intensos que o encaram de volta. Não consegue evitar de estender as mãos para tocá-lo, senti-lo, adorando quando o sente se arrepiar e estremecer por inteiro antes de se derreter todo com um gemido mal contido.

Com as pontas dos seus dedos o provoca e pressiona, seus mamilos rosados são sensíveis, ele sente cócegas quando é tocado nas costelas e seus quadris são ossudos, mas agradáveis de segurar, suas mãos se encaixam bem neles. Há um número considerável de cicatrizes antigas nos braços e pernas, causados por unhas irregulares num ataque de ansiedade, uns são mais profundos e outros quase invisíveis agora. Mas, bem, nada disso importa, ele mesmo tem sua carga de cicatrizes.

Se atrapalhando um pouco consegue chutar suas roupas no chão com a ajuda de Tenko, um sorriso de lado repuxa seus grampos quando olhos vermelhos escurecem e a ponta de uma língua umedece os lábios. Quando ele estende uma mão para envolver seu membro num aperto frouxo sua respiração vacila, mesmo vendo os dedos enfaixados, é impossível evitar a carga de adrenalina que o simples toque do mais novo causa.

Expectante, engole seco. – Porra, Tomura...! – grunhe entredentes deixando sua cabeça afundar na almofada quando a ponta do seu pau entra; instintivamente segura as coxas leitosas, esfregando a carne sensível até ela se tornar vermelha e quente. Os quadris de Tenko descem de encontro a sua pelve sem nenhuma hesitação.

Ele morde o lábio interior numa tentativa de reprimir os gemidos e os punhos cerrados se apoiam no seu estômago enquanto se acostuma com a sensação de estar cheio. Levam um minuto parados antes de faz qualquer movimento, arrancando ruídos prazerosos de ambos.

Inspirando pelo nariz Touya tenta se concentrar em manter suas chamas sob controle, mas é tão difícil fazer isso quando o namorado faz esses pequenos balanços languidos com o corpo, se erguendo com a força das pernas só para se deixar cair novamente em seguida e repetindo de novo e de novo. Suspiros curtos continuam a escapar dos lábios secos conforme o penetra com estocadas profundas e lentas, o ritmo é agradável e ele acha que combina bem com manhãs frias e preguiçosas.

Entretanto, não demora para essa ideia ser completamente jogada pela janela (metafórica) ao sentir o interior de Tenko se contrair em volta do seu membro, seus movimentos se tornam mais ansiosos e necessitados conforme a respiração acelera e se torna ofegante. Seu rosto está vermelho por causa do esforço, contrastando com os cabelos claros que caem sobre os ombros numa cascata bagunçada.

- Dabi... – ele murmura sob a respiração, estremecendo e se arrepiando.

O moreno acata ao pedido implícito, com facilidade o puxa contra o peito e envolve seus braços em volta corpo magro e o abraça sob o moletom, a sensação da pele suave contra suas cicatrizes é quase agradável. Só precisa de mais algumas estocadas para Tenko gozar, com os olhos fechados e a boca aberta pressionada na pele saudável do seu peito.

Por um momento Touya se esquece das suas chamas. Com gemido rouco ele goza dentro do namorado e Tenko solta um pequeno silvo de dor.

- Puta merda, Tomura! – exclama imediatamente afastando as mãos, pequenas chamas azuis dançam nas pontas dos seus dedos e ele precisa cerrar os punhos para apagá-las. – E-eu te machuquei?

- Estou bem, Dabi. – ele o tranquiliza pressionando um beijo curto nos lábios incompatíveis. – Foi por um segundo, suas mãos só esquentaram demais.

- Me deixa ver isso.

- Não agora, estou com preguiça de me mover. – resmunga apoiando a cabeça no seu ombro e se ajeitando melhor.

- É sério, idiota.

- Não.

- Tomura.

- Eu não me importo. Você sabe que eu tenho alta resistência a dor, mal senti isso – assegura enterrando o nariz na curva do pescoço do mais velho com um suspiro cansado. – Agora seja um bom aquecedor e cale a boca, retalhos.

O absurdo disso faz Touya soltar uma risada sem humor, a sensação gostosa pós-orgasmo foi completamente arruinada pela merda do seu quirk. Porra de poder, pensa agarrando os cabelos escuros com uma das mãos; se sente mal por machucá-lo, mas Tenko está sendo teimoso sobre isso agora, então pode muito bem deixar para discutirem mais tarde.

Puxando a manta sobre os dois se recosta na almofada e recupera o celular de onde ele caiu no chão no meio de tudo isso, sua playlist continua tocando e ele se pega cantarolando sob a respiração, distraído rolando a barra de notificações. Havia mais mensagens agora.

- A propósito, feliz aniversário, Touya. – Tenko diz depois momento em silêncio, beija a pele áspera na sua mandíbula e sorri.